Bancos fora do ar, operadoras de telefonia lentas. Anos atrás, você estava acostumado com isso, mas hoje em dia não estava mais. Ultimamente, tudo estava estável, serviços de internet funcionavam bem.
Mas o que aconteceu essa semana? Notícias como essa relatam quedas em multiplos links. Ontem o Twitter teve centenas de relatos sobre problemas na GVT, Tim, Vivo. Aqui em Porto Alegre também sentimos lentidão na Oi. Como assim, múltiplos cabos de fibra ótica foram rompidos no mesmo momento? Será isso realmente o motivo? Ou será que essas conexões não ficaram apenas congestionadas?
Coincidência ou não, o Google Drive foi lançado no mesmo dia em que os problemas começaram.
Nós, os provedores de hospedagem não fomos afetados diretamente, talvez porque a conexão entre o usuário do Google Drive e os servidores o Google não passam por nós. Mas indiretamente os problemas acabaram nos afetando, pois as conexões dos usuários ficaram lentas e estes passaram a não poder usar nosso serviço.
Será apenas coincidência? Além dos relatos de usuários no Twitter, nas listas de discussão por email entre os administradores de rede do Brasil também se falou em quedas de link das operadoras Oi, GVT e Tim. Alguns amigos tentaram usar caixa eletrônico da CEF e também serviços de lotéricas, tudo fora. São relatos não oficiais, mas será que procede? Todas as operadoras, nos mesmos momentos, ficaram com o link fora do ar? É possível que seja só o Google Drive.
Gargalos de link costumam ocorrer quando surgem novas fontes de tráfego e, como exemplo disso, podemos citar o surgimento do Youtube. Entre a explosão do uso de uma nova ferramenta e as providências que as operadoras tem que tomar para se ajustar, ocorre a lentidão. Mas não pense que, para resolver o gargalo, a única medida que as operadoras tomam é expandir suas redes e contratos de conectividade.
O serviço é fantástico. Permite armazenar seus arquivos na nuvem, sem custo algum. Imagine: agora você não tem mais que carregar seu notebook de casa para o trabalho. Use qualquer computador e seus arquivos estarão lá. Vamos para os cálculos:
Para você ter uma idéia do que são 40 Gbps: todas as trocas de tráfego de internet do Brasil que ocorrem no PTTMetro em todos os estados brasileiros que ele está presente (SP, RJ, RS, PR, DF, BA, CE, MG, SC, PE, entre outros), são de 100 Gbps (leia meu post sobre o assunto). 40 Gbps a mais (ou a menos…) é bem significativo.
Outro ponto importante: as operadoras não costumam deixar seus links ociosos. É prática no mercado usar 100% ou quase isso do link de internet. Assim, se houver uma mudança significativa no consumo, vai ficar lento sim.
E vai ficar lento. Realizar os ajustes na rede não é algo instantâneo. Engenheiros precisam trabalhar dias para ajustar uma rede de uma operadora e mudar as regras de traffic-shapping. Cache nem é possível nesse cenário, pois os dados de cada usuário são diferentes. Expandir a rede demoraria meses.
Não estou dizendo que é isso, estou dizendo que pode ser isso. Nos próximos dias, se continuar lento, teremos mais índicios. E não espere um comunicado das telecoms assumindo que a rede deles está congestionada. Não, senhores, nenhuma telecom irá dizer que sua rede está no limite.
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Texto de nosso CEO, Roberto Bertó
Vou fazer uma pequena análise sobre o case de sucesso da GVT nesse artigo. Espero comentários do pessoal de telecom
. É bem interessante. Vou deixar claro aqui que a GVT é uma das empresas que admiro muito, pois sempre tiveram seriedade e nos atenderam muito bem tanto no corporativo quanto na pessoa física.
O público residencial de São Paulo não conhece a GVT. Estive por lá semana passada e conversei com algumas pessoas, e ninguém sabia o que era a GVT. Os clientes de ADSL de lá estão muito mal acostumados com o serviço do Speedy. Tanto é que meus amigos paulistas me disseram que está todo mundo indo para a Net.
Agora vai entrar a GVT em São Paulo [1] e vão investir forte [2]. Nela os funcionários não são tercerizados. Até o call center não é tercerizado e o suporte deles já é bom (opinão de cliente) e querem investir mais nisso para ser diferenciação da concorrência [3]. Aqui no Rio Grande do Sul a GVT é, de longe, a melhor alternativa em ADSL. A Oi/Brasil Telecom simplesmente peca em tudo que é detalhe. Mas pelo que comentam em São Paulo, a Oi é bem superior ao que era o Speedy da Telefônica. E a GVT tem experiência. São mais de 1 milhão de assinantes [4]. Imagino quando o público souber que a GVT oferece um serviço excelente. Não sei se a estrutura que a GVT está montando dará conta do sucesso comercial que deverão ter.
A GVT faz parecido com a Net Virtua, oferece planos com muitos Mbps de banda, ambas começaram pequenas e foram tomando mercado com ofertas com preço baixo (Mbps ofertado dividido pelo preço). Por exemplo, na GVT é possível contratar ADSL de 100 Mbps. Ambas não são telecom gigantes como a Oi e a Telefônica. Ambas estão conectadas ao PTT (leia nosso artigo sobre o PTT) e com isso conseguem ter um custo de Mbps menor mesmo não tendo a escala das gigantes. Funciona assim: um bom percentual (eu diria um quarto) dos conteúdos que o usuário da Net Virtua e da GVT querem acessar, estão em provedores de conteúdo que trocam tráfego diretamente pelo PTT com a Net Virtua e a GVT. Isso gerou a possibilidade de elas crescerem muito no volume de tráfego e ganhar corpo. Uma vez que tiver tamanho suficiente, resta saber se vão continuar no PTT. Poderia apostar que sim, pois a GVT até é um PIX agora em São Paulo. Mas nunca se sabe.
A imagem acima são as trocas de tráfego de madrugada às 1:30. No horário GVT estava com 120Mbps de 10Gbps do momento, ou seja, 1,2% das trocas do PTT de SP.
Note que a BRT mantém um PIX, a Telefônica também, mas isso não quer dizer que elas troquem tráfego pelo ATM (Acordo de Troca Multilateral), ou seja, só trocam tráfego com pouquíssimas empresas que a eles interessam.
Aliás, seria ótimo se a GVT viesse a ter custos de link menor que as concorrentes por causa do PTT e com isso estas tenham que fazer isso também. Utopia.
A Oi e a Telefônica não apenas não trocam tráfego pelo PTT, como também não o fazem diretamente com os provedores de conteúdo. Que eu saiba quase ninguém tem troca tráfego com essas empresas. Claro, veja só, se eles trocarem tráfego com os provedores, estes deixarão de comprar banda com as telecoms ou pelo menos vão comprar muito menos. Pelas medições que fiz, a Oi e a Telefônica são cerca de 30% do interesse de tráfego que a TeHospedo tem. Então, imagina, seria 30% menos de faturamento com venda de link Internet! Porque fariam isso de graça? Nem mesmo a melhoria dos serviços de internet no Brasil justificaria. É calculo econômico. Estão certos. O governo não ajuda, não regulamenta. Muito se falou sobre isso, aliás, no 4º PTT Fórum. Os palestrantes falaram muito sobre esse tipo de decisão.
Voltando a GVT, agora que foi comprada [5] pela Vivendi, a GVT vai querer vender sempre 10Mbps. Lá em casa tenho GVT. Participei de uma promoção um ano e pouco atrás que, em 12 meses, o plano ficava 10 Mbps por um valor reduzido. Não tinha opção de renovar. Mas aí venceu o primeiro ano e me ligaram. Disseram que por apenas alguns reais (acho que foi menos de R$ 10,00) iriam manter a oferta. A GVT já chega em tudo que é cliente com fibra. Para levar 10 Mbps para todos é natural e mais fácil que os concorrentes dela. Basta, claro, ter equipamentos. Hoje 10 Mbps de roteadores e equipamentos para ADSL não é tão mais caro que ter equipamentos para 1 Mbps quanto era 5 anos atrás. Mas o que a Vivendi tem a ver com isso? Bem, a Vivendi o negócio dela é conteúdo (vídeo e áudio). Não apenas geração como também distribuição [6]. A GVT será a distribuidora desse conteúdo. 10 Mbps é uma velocidade perfeita para distribuir TV pela Internet. Tranquilamente é possível navegar, assistir vídeo e efetuar downloads com essa banda. Já estão oferecendo conteúdo da Universal Music [7].
A GVT é um modelo de negócios que funciona muito bem, tem crescimento orgânico e que tem presença no enorme mercado brasileiro. Tem capacidade de distribuir conteúdo e a Vivendi viu nisso, a oportunidade que precisava para entrar no Brasil. Como a Vivendi não tem um know-how enorme em telecom, acredito que o modelo de operação da GVT vai permanecer como é.
Quando a Vivendi venceu a Telefônica na batalha pela compra da GVT eu fiquei muito feliz. Cheguei a comemorar aqui no escritório. Estava preocupado, entre outras coisas, com a perda de concorrentes e também com a saída da GVT do PTT.
Que o PTT Metro tem altos custos de capital de de operação (capex o opex), isso é fato. Os técnicos são caros. Algum eventual transporte de dados é caro. Algum eventual trânsito de dados (link internet) é caro. Os equipamentos (switches 10G empilhados!) são caros. Quem opera o PTT Metro é o Comitê Gestor (CG) e esse utiliza praticamente os recursos da anuidade do registro de domínios para operar. Ou seja, o Brasil (nós) oferecemos os lucros do serviço de registro de domínios (que são altíssimas margens de contribuição) ao CG. Ou seja, o PTT Metro é bancado com recursos públicos. Me corrija alguém do Comitê Gestor, se eu estiver errado. Apesar disso, o governo e os legisladores poderiam fazer muito mais!
Se o governo quer universalizar a internet, não basta fazer a Telebrás vender banda barata para os provedores do interior (eles pagam muito caro hoje para as telecoms). Também não basta obrigar as telecoms a oferecer banda larga por baixo custo para a população. Muito melhor seria o custo do Mbps cair para todo o mercado, colocando regras para as teles trocar tráfego pelos PTTs.
Update: 28/10/2010 – artigo no Baguete sobre a discussão entre Rogério Santanna, da Telebrás com os presidentes das telecoms durante a Futurecom, vale pena a leitura.
[1] GVT chega a São Paulo em 2011
[2] GVT pode investir R$ 408 mi em rede de telecomunicações em SP
[3] GVT quer se diferenciar em call center, diz vice-presidente da empresa
[4] GVT anuncia marca de 1 milhão de clientes de banda larga
[5] Vivendi dribla a Telefônica e compra a GVT
[6] Wikipédia: Ativos da Vivendi
[7] Operadora GVT vai distribuir conteúdo da Universal Music
Roberto Bertó (http://twitter.com/darkelder) é diretor e fundador da TeHospedo, empresa de serviços de internet como hospedagem de sites e servidores cloud. Há 8 anos gerencia o marketing da TeHospedo. A TeHospedo também oferece o serviço TeContato, ferramenta de email marketing, o qual é usado por centenas de empresas. É desenvolvedor web há mais de 12 anos.
Formado em Ciências Contábeis pela UFRGS, está cursando um MBA em Marketing na FGV-RS.